Decreto de Lula dá aval do Tesouro para empréstimo aos Correios

BRASÍLIA, 10 de dezembro de 2025 – O governo do presidente Lula (PT) publicou nesta terça (9), em uma edição extra do Diário Oficial da União (DOU), o decreto que autoriza a concessão de garantia da União para um empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer os Correios, que já acumulam um prejuízo recorde de R$ 6,1 bilhões apenas neste ano até o mês de setembro. A medida abre espaço para que a estatal apresente um plano de reestruturação e consiga fechar o empréstimo considerado essencial para evitar que se torne dependente direta do Tesouro. O decreto estabelece que estatais que identifiquem risco de precisar de recursos do Orçamento apresentem um plano completo de ajustes, detalhando aportes previstos e medidas para manter a sustentabilidade financeira. “O plano de reequilíbrio econômico-financeiro deverá conter eventuais operações de crédito com garantia da União que a empresa estatal pretenda contratar, e deverá ser evidenciada a compatibilidade dos fluxos de caixa futuros com o respectivo serviço da dívida a ser contratada”, diz trecho do decreto De acordo com o Ministério da Fazenda, essa medida “fortalece a responsabilidade fiscal, aprimora a gestão de riscos e confere maior previsibilidade à Administração Pública”. O decreto, segue, cria o que chama de “caminho estruturado” para que empresas estatais federais enfrentem “desafios conjunturais” sem serem, de imediato, reclassificadas como dependentes do Tesouro Nacional. Os Correios já haviam aprovado uma proposta inicial de empréstimo feita pelos bancos Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra, mas o Tesouro recusou o aval por considerar a taxa de juros elevada. Agora, com o novo decreto, os técnicos poderão avaliar a capacidade da empresa levando em conta projeções de aumento de receitas e cortes de despesas ainda não implementados, algo diferente do processo tradicional que considera apenas a fotografia atual das contas. “O Decreto estabelece um processo rigoroso de aprovação do plano, que ocorrerá em etapas sucessivas: avaliação pelas instâncias de governança da própria empresa, análise técnica e aprovação pelo ministério supervisor, e submissão, pelo órgão central do Sistema de Coordenação da Governança das Estatais, para análise e decisão final da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (Cgpar)”, pontua o comunicado do governo.
Tesouro barra empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios

BRASÍLIA, 03 de dezembro de 2025 – O Tesouro Nacional barrou um empréstimo de R$ 20 bilhões para os Correios nesta terça (2) por considerar excessiva a taxa de juros proposta pelos bancos. O órgão federal rejeitou a cobrança de 136% do CDI feita pelo consórcio financeiro, impondo um limite máximo de 120%. Dessa forma, a operação, que conta com garantia da União, não recebeu aval e segue em negociação. O consórcio é formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. Com a taxa Selic em 15% ao ano, a proposta dos bancos elevaria o custo anual do empréstimo para 20,4%. No entanto, o teto estabelecido pelo Tesouro fixaria esse valor em aproximadamente 18%. Portanto, a divergência nas condições financeiras travou a liberação dos recursos.
Correios gastam R$ 8 milhões por ano para pagar alto escalão

BRASÍLIA, 1º de dezembro de 2025 – A diretoria dos Correios, composta por sete membros, custa quase R$ 8 milhões por ano em salários e benefícios, segundo relatórios da própria estatal. Cada diretor, incluindo o presidente, recebe anualmente um valor total que ultrapassa R$ 1 milhão. Esses pagamentos ocorrem enquanto a empresa acumula um déficit de R$ 6 bilhões nos primeiros nove meses de 2025. O presidente da estatal tem um honorário fixo mensal de R$ 53 mil. No entanto, ele recebe ainda o pagamento da chamada “Quarentena”, equivalente ao honorário e pago seis vezes ao ano, e uma “Ajuda de Custo” de mesmo valor. Dessa forma, apenas com esses itens, a remuneração anual do cargo já supera R$ 1 milhão. Além disso, há benefícios mensais como auxílio-moradia e alimentação. Os diretores, cujo honorário fixo é de R$ 46 mil mensais, também têm acesso ao mesmo pacote de benefícios. Portanto, todos os integrantes da alta cúpula recebem auxílio-moradia de R$ 4,7 mil, auxílio-alimentação de R$ 1 mil e um plano de saúde de R$ 750 por mês. Adicionalmente, complementos como previdência complementar, gratificação natalina e de férias são depositados mensalmente. Consequentemente, a soma anual para cada diretor, incluindo todos os extras, também ultrapassa a marca de R$ 1 milhão. Esse cenário de altos custos com a diretoria se dá no mesmo período em que a empresa reporta prejuízos bilionários e busca empréstimos para sua sustentação financeira.
Ministro Fernando Haddad descarta privatização dos Correios

BRASÍLIA, 27 de novembro de 2025 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou a privatização dos Correios durante entrevista à Globonews nesta quarta (26). Ele afirmou que não existe um debate sobre o tema dentro do governo federal, defendendo a reestruturação da estatal. Haddad citou estudos internacionais que mostram a dificuldade dos países em abrir mão dos serviços postais, frequentemente subsidiados para garantir sua universalização. O ministro destacou que a tendência global é agregar serviços financeiros, previdenciários e securitários às operações postais para dar sustentabilidade ao setor. No entanto, a empresa enfrenta uma grave deterioração financeira, com prejuízos acumulados em 12 trimestres consecutivos.
TCU identifica omissão de prejuízo de R$ 1 bi nos Correios

BRASÍLIA, 18 de novembro de 2025 – O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de que os Correios omitiram um prejuízo de R$ 1 bilhão em seu balanço referente ao ano de 2023. Segundo relatório de auditoria, a estatal retirou uma provisão para indenizações trabalhistas do resultado do primeiro ano da gestão do presidente Lula. O valor deveria ter sido contabilizado como resultado negativo, conforme determinações contábeis. A área técnica do TCU sustenta que a reversão da provisão ocorreu em desacordo com normas contábeis e diretrizes internas da empresa estatal. Os Correios justificaram a medida citando uma decisão judicial favorável em ação movida por empregados. No entanto, a auditoria constatou que o processo ainda não transitou em julgado. Dessa forma, o tribunal considera que o prejuízo real de 2023 poderia alcançar R$ 1,7 bilhão com a inclusão correta do valor.
Correios cancelam leilão de imóvel por cheque sem fundos

BRASÍLIA, 11 de novembro de 2025 – Os Correios cancelaram o leilão de um imóvel avaliado em R$ 280 milhões em Brasília após constatar que o cheque de R$ 500 mil usado como pagamento inicial não possuía fundos. A única participante da licitação foi a ONG CPM Intercab, liderada pelo pai de santo Jorge Luiz Almeida da Silveira, conhecido como Pai Jorge de Oxossi. O terreno estava incluído no programa de alienação de bens da estatal devido à crise financeira da empresa. A área de compliance dos Correios identificou que a ONG não possuía capital social e que seu dirigente recebeu auxílio emergencial durante a pandemia.
Correios em crise trocam três diretores sob nova gestão

BRASIL, 07 de novembro de 2025 – Os Correios nomearam três novos diretores em uma reformulação administrativa anunciada na quarta (5). Os Correios, que registraram um prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025, promoveram mudanças nas diretorias de Governança e Estratégia, Gestão de Pessoas e Operações. O movimento ocorre sob o comando do novo presidente, Emmanoel Rondon, que assumiu em setembro, e em um contexto onde o governo federal busca um financiamento de R$ 20 bilhões para a companhia. Luiz Claudio Ligabue, servidor do Banco do Brasil, assumiu a diretoria de Governança e Estratégia no lugar de Juliana Picoli Agatte. Natália Telles da Motta, ex-diretora da Enap, substituiu Getúlio Marques Ferreira na diretoria de Gestão de Pessoas.
Terceirizados dos Correios entram em greve por atraso salarial

BOM JARDIM, 27 de outubro de 2025 – Cerca de 30 trabalhadores terceirizados dos serviços de asseio e conservação dos Correios iniciaram uma nova paralisação na manhã desta segunda (27), em São Luís. O grupo é contratado pela empresa Maranata e decidiu cruzar os braços após registrar mais um atraso no pagamento dos salários e benefícios. Esta é a segunda greve deflagrada pela categoria em menos de três meses, motivada pela repetição dos mesmos problemas trabalhistas. De acordo com os manifestantes, os constantes atrasos salariais têm comprometido o sustento das famílias e agravado a insatisfação dos profissionais.