Governo Lula projeta rombo de R$ 10 bi para Correios em 2026

BRASÍLIA, 06 de maio de 2026 — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, projetou um prejuízo de R$ 10 bilhões para os Correios em 2026. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda (4). O ministro reconheceu a gravidade da situação financeira da estatal. A direção atual dos Correios, liderada por Emmanoel Rondon, já apresentou um plano de reestruturação. A estratégia inclui corte de despesas e incremento na geração de receitas. Além disso, prevê a expansão de parcerias nacionais e internacionais. Durigan afirmou que o acompanhamento dessas medidas faz parte do esforço para modernizar a empresa. O ministro ressaltou que o compromisso com a universalização dos serviços postais aumenta o custo operacional. “Os Correios têm um ônus, que é entregar a universalidade para o país todo”, disse Durigan. Ele comparou com agentes privados, que não entregam notificações judiciais para populações ribeirinhas no Amazonas. Em 2025, a estatal já registrou um déficit de R$ 4 bilhões. Sobre a privatização, Durigan declarou não ver objeção à medida. No entanto, ponderou que não se trata de uma solução simples. “Também não acho que privatização seja saída fácil”, avaliou o ministro. Ele afirmou ser favorável à busca de alternativas, como parcerias ou joint ventures. Essas medidas visam racionalizar a logística e ampliar a atuação dos Correios em novas áreas.
Crise dos Correios leva Lula a prever mais verba a estatais

BRASÍLIA, 03 de maio de 2026 — O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 já incorpora o risco fiscal dos resultados negativos das estatais federais, como os Correios. O governo estima que essas empresas registrarão um rombo de R$ 7,5 bilhões no próximo ano. Esse é o pior resultado da série considerada no documento. Déficits também estão previstos nos anos seguintes, ainda que em trajetória de redução. O motivo é estruturar mecanismos que acomodem déficits sem comprometer formalmente as metas fiscais. A LDO traz dispositivos que relativizam o impacto desses resultados sobre a meta fiscal. Isso vale especialmente para as chamadas estatais não dependentes. Essas empresas, em tese, não recebem recursos diretos do Tesouro Nacional para custeio. Um dos principais instrumentos é a exclusão de despesas do cálculo do resultado primário. Entre esses gastos estão os vinculados ao Novo PAC, limitados a um teto específico. Incluem-se também despesas de companhias em processo de reequilíbrio econômico-financeiro, igualmente com limite pré-definido. Dessa forma, o governo cria uma espécie de colchão dentro do orçamento. Esse colchão serve para absorver déficits sem pressionar diretamente o cumprimento das metas. O governo prevê explicitamente a possibilidade de retirar até R$ 10 bilhões dessas despesas da meta em 2027. Esse mecanismo já foi adotado em anos anteriores. O espaço deve ser usado para acomodar operações de reestruturação em estatais como os Correios. Essas operações podem demandar aportes da União ou registrar prejuízos relevantes durante o ajuste. O próprio PLDO reconhece o risco fiscal associado às estatais. O governo lista como fatores de atenção a frustração de receitas com dividendos e juros sobre capital próprio. Além disso, cita a necessidade de aportes emergenciais. Aponta também a possibilidade de esforço adicional para compensar resultados negativos dessas empresas. Como consequência, mesmo que formalmente fora do orçamento fiscal direto, o desempenho das estatais continua relevante. Esse desempenho afeta o equilíbrio das contas públicas.
Correios registra prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025

BRASÍLIA, 24 de abril de 2026 — O presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, afirmou nesta quinta (23) que a estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. O valor supera em mais de três vezes o prejuízo do ano anterior, que foi de R$ 2,6 bilhões. Rondon fez o balanço durante a apresentação dos 100 dias do plano de reestruturação da empresa. A receita bruta da estatal alcançou R$ 17,3 bilhões no ano passado. No entanto, apenas os processos judiciais geraram um déficit de R$ 6,4 bilhões. O presidente explicou os motivos do resultado negativo. A queda de receitas ocorreu por causa da dificuldade de caixa da empresa. Além disso, houve aumento de provisões por passivos judiciais. Outro fator relevante é a rigidez das despesas gerais. Quando a receita cai, a empresa não consegue reduzir os custos. O patrimônio líquido dos Correios encerrou 2025 em R$ 13,1 bilhões negativos. Rondon afirmou que a concorrência acirrada de novas empresas de logística tem impactado as receitas da estatal.
Correios admitem ciclo de prejuízos sem clientes e receitas

BRASÍLIA, 18 de fevereiro de 2026 – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) admitiu, em um documento interno obtido com exclusividade pelo g1, que enfrenta um “ciclo vicioso de prejuízos” agravado pela perda progressiva de clientes e receitas. De acordo com o relatório da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi), a deterioração do desempenho operacional nos últimos trimestres comprometeu diretamente a geração de caixa da estatal. Por isso, a empresa deixou de pagar R$ 3,7 bilhões a fornecedores, empregados e em tributos até setembro de 2025. Além disso, a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo explicou que a baixa qualidade operacional reduziu a capacidade da empresa de regularizar suas obrigações financeiras. “Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas”, afirmou. Ela acrescentou que as negociações com grandes clientes, responsáveis por mais de 50% da receita de vendas, tornaram-se extremamente sensíveis. Consequentemente, acordos foram comprometidos e os resultados esperados acabaram frustrados. IMPACTO NO CAIXA E BUSCA POR SOLUÇÕES O documento aponta que a insuficiência de caixa é o elemento mais crítico para a sustentabilidade da empresa no longo prazo. A situação é descrita não como um problema financeiro passageiro, mas como um sinal de que o modelo atual opera no limite entre a obrigação legal e a capacidade real de gerar valor. Dessa forma, a redução nas receitas provocou uma queda de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa entre janeiro e setembro de 2025, uma diminuição de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para tentar contornar a crise, os Correios buscaram empréstimos e contrataram R$ 13,8 bilhões ao longo de 2025. No entanto, a maior parte desses recursos só entrou no caixa da empresa no dia 30 de dezembro. Enquanto isso, o relatório detalha que as entradas de caixa nos nove primeiros meses de 2025 totalizaram R$ 16,94 bilhões, contra R$ 18,37 bilhões registrados em 2024. Já as saídas somaram R$ 16,68 bilhões, uma redução significativa frente aos R$ 20,65 bilhões do ano anterior.
Correios atrasam R$ 3,7 bilhões em tributos e obrigações

BRASIL, 13 de fevereiro de 2026 – Os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores, tributos e fundos ligados a funcionários. Os dados constam em documento interno sobre a situação financeira da estatal, acessado pelo portal g1. Em meio a sucessivas crises econômico-financeiras, a empresa criou, em junho, um Comitê Executivo de Contingência, vinculado à presidência. Entre as medidas adotadas está a postergação proposital de pagamentos, diante da queda de receitas e do fluxo de caixa negativo. Nos nove primeiros meses de 2025, entraram R$ 16,9 bilhões nas contas da estatal, enquanto as obrigações somavam R$ 20,6 bilhões. Segundo a empresa, se todos os pagamentos tivessem sido feitos no prazo, o déficit operacional chegaria a R$ 2,7 bilhões.
Correios contratam advogados por R$ 800 mil sem licitação

BRASÍLIA, 06 de fevereiro de 2026 – Sob o impacto do maior abalo financeiro de sua história, os Correios contrataram sem licitação um escritório privado de advocacia e representação por R$ 800 mil para atuar na defesa de dirigentes e ex-dirigentes em um processo no TCU (Tribunal de Contas da União). O Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo Advogados atuará junto à Corte de Contas em um caso que investiga a ocorrência de possíveis pedaladas fiscais na elaboração dos balanços da estatal em 2023, período em que a presidência era ocupada por Fabiano Silva Santos. O caso foi revelado pelo Poder360 em novembro de 2024. Os Correios têm em seu quadro regular de funcionários cerca de 300 advogados. A estatal preferiu, entretanto, contratar um escritório externo para atuar na defesa de seus ex-dirigentes. O escritório contratado foi resultado de ação da ex-diretora de Governança e Estratégia, Juliana Picolli Agate, que levou o tema à reunião da direção, como mostra a ata do encontro que definiu o acordo. A contratação do escritório de advocacia Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo Advogados por R$ 800 mil foi feita na modalidade de “dispensa de licitação”. O contrato tem como objeto um processo específico —o TC 015.834/2024-7, em sigilo— que apura as suspeitas de irregularidades nos balanços da estatal em 2023. Embora a contratação de escritórios externos não seja, em si, ilegal, a jurisprudência do TCU estabelece que o orçamento público não pode ser utilizado para afastar responsabilização pessoal de gestores investigados por atos no exercício do cargo. Esses têm a possibilidade de pedir a defesa de advogados públicos, o que não foi feito. O Poder360 teve acesso a uma troca de e-mails entre advogados do escritório contratado e dirigentes dos Correios, na qual a estratégia jurídica é explicitada. Um dos 4 pilares da atuação é “afastar a responsabilização pessoal do dirigente da entidade”, ou seja, evitar que o processo avance sobre o CPF dos investigados.
Haddad diz que socorro aos Correios está na casa dos R$ 12 bi

BRASÍLIA, 17 de dezembro de 2025 – O Ministério da Fazenda analisa um empréstimo de até R$ 12 bilhões para os Correios. O ministro Fernando Haddad confirmou a informação nesta terça (16) em Brasília. A proposta, enviada por um consórcio de bancos, segue as regras do Tesouro Nacional e não rompe o limite fiscal. Segundo Haddad, um aporte direto de recursos da União na estatal está descartado no momento. O ministro explicou que a operação só será aprovada se a taxa de juros não ultrapassar 120% do CDI. O Tesouro Nacional já barrou uma proposta anterior com taxa de 136% do CDI, por considerá-la excessivamente alta. Dessa forma, os Correios buscam novas condições para fechar seu orçamento e viabilizar um plano de reestruturação.
Trabalhadores dos Correios aprovam greve em 7 Estados

BRASIL, 17 de dezembro de 2025 – Trabalhadores dos Correios em sete estados iniciaram uma greve por tempo indeterminado a partir das 22h desta terça (16). A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. A decisão ocorre após semanas de impasse nas negociações do acordo coletivo com a empresa, que enfrenta grave crise financeira. O movimento exige reajuste salarial e a manutenção de benefícios. Mesmo com a orientação contrária do sindicato paulista, os funcionários em São Paulo decidiram pela greve. Assembleias em bases de grandes cidades, como Vale do Paraíba, Campinas, Santos e Londrina, também aprovaram a paralisação. Além dessas unidades, outros doze sindicatos estaduais e regionais mantiveram o estado de greve. Essas entidades aguardam novos desdobramentos das tratativas nacionais. PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES A categoria exige um reajuste salarial baseado na inflação e a manutenção de benefícios consolidados. A lista inclui o adicional de 70% nas férias, o pagamento de 200% por trabalho nos fins de semana e o vale-peru de R$ 2,5 mil. Os trabalhadores afirmam que não devem ser responsabilizados pela crise da estatal. Em nota, o sindicato de São Paulo criticou a demora da empresa em apresentar uma proposta concreta desde julho. A direção dos Correios alega que a situação financeira inviabiliza atender a todas as demandas. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) atua como mediador nas negociações desde a última quinta (11). A empresa fez uma proposta com reajuste pela inflação e aceitou parte das reivindicações. No entanto, manteve a recusa em relação ao vale-peru, o que levou à rejeição da oferta pelos trabalhadores.