YANOMAMIS
Ministra maranhense é alvo de críticas após volta do garimpo ilegal
Por O GLOBO • 17/01/2024
Compartilhe
Sônia Guajajara
Coordenador da Apib concorda que o ministério poderia ter feito mais e deu como exemplo as poucas demarcações de novas terras: oito.

BRASIL, 17 de janeiro de 2024 – Um ano após o governo federal iniciar uma operação de ajuda humanitária e combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, criminosos ainda ameaçam 31 mil indígenas que vivem no local.

Os garimpeiros adaptaram suas ações para escapar da fiscalização e voltaram à reserva no segundo semestre. O resultado foi a manutenção de um patamar alto de mortes dos ianomâmis.

Leia mais: Sonia Guajajara tumultua sessão na Câmara de Arame

As 343 mortes em 2022 caíram para 308 no ano passado, mas a diminuição representou uma variação de apenas 10%, o que suscitou críticas de especialistas e indígenas.

Leia mais: Indígenas no Maranhão protestam contra Marco Temporal

Na semana passada, o ativista Daniel Munduruku criticou o Ministério dos Povos Indígenas. Outros líderes indígenas defendem o trabalho de Sonia Guajajara na pasta, mas concordaram que era preciso ter feito mais.

Munduruku publicou em sua conta no X (o antigo Twitter) que criar um ministério “cirandeiro” é reproduzir a “política do pão e circo”, com “muita festa, muita viagem internacional” e pouca ação.

Leia mais: Revelado quanto recebem ONGs que atuam na Amazônia

Coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas (Apib), Kleber Karipuna concorda que o ministério poderia ter feito mais e deu como exemplo as poucas demarcações de novas terras: oito.

Mas ressalva que o orçamento da pasta era pequeno e que muitas ações na terra ianomâmi não dependiam apenas da pasta de Sônia.

— Esperávamos maior consistência na desintrusão dos invasores e nas outras políticas públicas para o povo ianomâmi — disse.

Leia mais: Traficantes são suspeitos de promover massacre de índios no Maranhão

Em uma live ontem, Sônia admitiu que as operações foram “insuficientes na resolução dos problemas”. Mas destacou as ações emergenciais e avisou que “assim como foram décadas de invasões, pode levar décadas para se restabelecer tudo”.

Procurado, o Ministério da Saúde informou que investiu R$ 220 milhões, 122% a mais que no ano passado, e 21 mil atendimentos foram feitos, numa mobilização de 960 profissionais — aumento de 40% da força de trabalho.

Sete polos base e unidades de saúde foram reabertos, 307 crianças com desnutrição grave foram atendidas e o Mais Médicos aumentou de nove para 28 os médicos no território, acrescentou.

Leia mais: Índios tiveram as mãos decepadas no Maranhão em 2017

O Ministério do Meio Ambiente informou que as áreas de mineração ilegal foram reduzidas em 85%. Contratos estão sendo feitos para ampliar o número de aeronaves de cinco para 11, afirmou a pasta.

A Funai e o Exército não responderam aos questionamentos.

Mais informações em O Globo.

Compartilhe
11/12/2023
STF
Dino é criticado por lideranças indígenas às vésperas de sabatina
18/04/2023
Municipalismo
Famem cria grupo com o governo em prol de escolas indígenas
06/05/2022
DOENÇA
Maranhão teve aumento nos casos de tuberculose em 2020 e 2021

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Propaganda