BANALIDADE
Facções começam a executar jovens dentro de ônibus em São Luís
Por José Linhares Jr • 08/04/2023
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Além dos assaltos comuns no transporte público, agora bandidos matam passageiros que aparentam morar em bairros de criminosos rivais

O adolescente Wemerson Matheus Ferreira Fonseca, de apenas 17 anos, foi morto na noite desta sexta (7 de abril) por supostamente morar em um bairro de criminosos rivais de seus assassinos.  Executado por membros de uma facção criminosa durante o assalto a um ônibus, a vítima comemorava aniversário no mesmo dia em que foi morto.

O crime, pelo menos teoricamente, deveria ligar o alerta nas autoridades e políticos locais. A banalização do assassinato por facções já é prática comum em outros estados e, aparentemente, começa a ser importada para o Maranhão. No Rio de Janeiro, por exemplo, já são comuns assassinatos de pessoas que moram em “bairros errados” (localidades dominadas por facções rivais). E também já é rotina o assassinato de pessoas que entram por engano em algumas comunidades.

As investigações da polícia apontam que o crime aconteceu após um grupo assaltantes entrarem em um coletivo do bairro Santa Bárbara, por volta das 21h.  após cerca de cinco de suspeitos terem entrado no ônibus e anunciado o assalto.

Durante o arrastão contra os passageiros, os criminosos implicaram com Wemerson e começaram a interrogá-lo. Segundo as investigações, antes que o adolescente pudesse responder, ele foi executado pelos marginais que fugiram do local.

“Num determinado momento se aproximaram da vítima e passaram a interrogá-la perguntando de onde ela era. Imaginando que a vítima fosse de uma outra área, dominada por uma facção rival e a vítima parece que não teria respondido nada, talvez por um momento de choque, e eles efetuaram dois disparos. Um disparo atingiu fatalmente a vítima”, disse o delegado responsável pelo caso.

Wemerson voltava de uma festa de comemoração do seu aniversário quando foi executado pelos assassinos. O caso será investigado pela Superintendência de Homicídios de Proteção à Pessoa (SHPP), situada na capital.

Ao contrário dos boatos envolvendo ataques que nunca aconteceram adolescentes em escolas de classe alta de São Luís, o assassinato de Wemerson Matheus Ferreira Fonseca não causou comoção social até agora.

Talvez pelo assassinato de garotos que moram “no lugar errado” ser mais comum e afetar apenas jovens de periferia, as autoridades e políticos não vejam necessidade para alarde.

O fato é que a execução de Wemerson por criminosos com motivação banal é indiscutivelmente mais grave do que traquinagens de filhinhos mimados da alta sociedade de São Luís.

Só que em uma sociedade incapaz de perceber a realidade e a gravidade das coisas, um caso cai no esquecimento enquanto o outro gera pânico.

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