Gabriel e Cleriston foram mortos por decisões do Judiciário brasileiro que passa por seu pior moimento em toda a história do Brasil.

No dia 19 de novembro o Judiciário brasileiro matou o jovem turista Gabriel Mongenot, de 25 anos. Ele estava no Rio de Janeiro para o show da cantora norte-americana Taylor Swift. Menos de 24 horas depois, também foi assassinado por uma decisão judicial Cleriston Pereira da Cunha. Morreu em decorrência de problemas de saúde enquanto estava enjaulado, sob circunstâncias estranhas, estava preso em Brasília.

Ações do Judiciário alheias à letra da Lei resultaram DIRETAMENTE na morte dois. Mortes que poderiam ter sido evitadas.

Gabriel Mongenot foi assassinado por Jonathan Batista Barbosa. Contudo, perdeu a vida por intervenção direta do sistema Judiciário brasileiro. Ocorre que Jonathan Batista Barbosa é um bandido perigoso que estava solto graças à condescendência da justiça nacional. Abordado mais de 50 vezes pela polícia, o assassino de Gabriel acumula ainda mais seis acusações criminais por homicídio, roubo, porte de arma de fogo, lesão corporal, furto e receptação.

Gabriel poderia estar vivo, não fosse a ação da juíza Priscilla Macuco Ferreira, que mandou soltar Jonathan dois dias antes dele participar do assassinato de Gabriel. Se Priscilla levasse em conta a ficha do perigoso Jonathan, evitaria a morte do inocente Gabriel.

Há anos o Judiciário mata milhares de brasileiros por conta de uma diretriz que impõe a soltura de animais assassinos nas ruas. Resultado? Animais como Jonathan matam inocentes como Gabriel às carradas.

No dia 8 de janeiro, o empresário Cleriston Pereira da Cunha invadiu e depredou um prédio público em Brasília. Ao contrário de Jonathan, dono de vasta ficha corrida e solto por Priscilla antes de matar Gabriel, Cleriston não possuía antecedentes criminais.

Cleriston foi preso e o STF decidiu mantê-lo encarcerado preventivamente por acreditar que ele poderia fugir, voltar a tentar dar um golpe de estado ou promover mais depredações. A lei exige que a prisão preventiva seja avaliada pelo tribunal e aplicada apenas em última opção. Contrário à prisão de Cleriston, o Ministério Público pediu sua soltura e argumentou que ele, além de ser réu primário e incapaz de aplicar um golpe de estado após a soltura, sofria de problemas de saúde.

O Judiciário decidiu manter Cleriston preso e matá-lo, apesar da ausência de antecedentes, impossibilidade de voltar a praticar o crime, problemas de saúde e apelos do Ministério Público. Se a lei fosse aplicada, Cleriston ainda estaria vivo. Foi assassinado por decisão direita do Judiciário.

O Judiciário que decidiu pela soltura de Jonathan, que matou Gabriel, decidiu pela manutenção da prisão de Cleriston. Menos de 24 horas a decisão que matou Gabriel ser consolidada, morreu Cleriston por problemas de saúde em uma cela em um presídio de Brasília.

No caso de Gabriel, este é o tipo de assassinato familiar aos brasileiros. Aquele motivado pela impunidade e impossibilidade de manter na cadeia homens e mulheres que representam perigo ao povo. Já Cleriston é a primeira vítima de um novo protocolo de morticínio: a prisão, perseguição, tortura psicológica e destruição de quem representa ameaça política/eleitoral contra os escolhidos do Judiciário.

Gabriel é só mais um entre milhares. Cleriston é um entre vários que estão por vir caso a depravação da Justiça não seja freada. O Judiciário brasileiro é genocida.

ARTIGO

O uso da razão e o uso da força

07/11/2023 - ROBERTO RACHEWSKY
Razão Força
O mundo se divide em duas turmas: os que usam a razão e os que usam a força. Todo o resto vem dessa divisão insuperável.

O mundo se divide em duas turmas: os que usam a razão e os que usam a força. Todo o resto vem dessa divisão insuperável.

A convivência pacífica entre esses dois polos é impossível, porque quando o grupo que usa a razão propõe ao grupo que usa a força que use a razão também não há a possibilidade de isso acontecer, porque o uso da razão é resultado de um processo evolutivo que nem todos têm condições de compreender exatamente porque o uso da razão é necessário.

A condição para a superação de uma barreira cognitiva implica na existência anterior dessa condição. O que cria o que os americanos chamam de “conundrum” ou na gíria “catch 22”.

O uso da força é um recurso primitivo que quem usa a razão domina e, dada a capacidade cognitiva superior que tem, sempre irá superar o grupo que por definição só tem o recurso primitivo, o uso da força, como opção, uma vez que o uso da razão não está no seu alcance.

Quem usa a razão cria e constrói, quem usa a força não cria nada, apenas destrói.

Nas sociedades que elegem a razão como meio de interação interpessoal, o “qui pro quo” da vida funciona assim, a razão atrai a razão que cria valor gerando mútuo benefício, numa espiral crescente e positiva que leva os indivíduos a florescerem e prosperarem na medida do seu mérito de acordo com sua capacidade produtiva, sua autoestima e sua ética racional.

Nas sociedades que elegem a força como meio de interação interpessoal não existe “qui pro quo”, não existe troca, existe apenas a destruição de valor ou no máximo uma troca de soma zero.

Paz entre esses dois grupos só é possível mediante três condições, o desarmamento de quem não consegue usar a razão, a eliminação de quem impede que o uso da razão prospere no seu seio e a reprogramação cognitiva da geração jovem para que o uso da razão seja possível.

Sociedades que são educadas para a obediência servil e o cumprimento do dever, sempre definido por quem monopoliza a coerção, pela coerção, são escravas de uma espiral descendente que nada constrói e leva à autodestruição. A autodestruição é acelerada quando o grupo que usa a força vence a batalha contra quem usa a razão.

A história fala da ascensão e queda de civilizações perante a barbárie. Isso sempre ocorreu quando quem usa a razão se torna leniente e acha que com bárbaros é possível o mútuo entendimento. Não é. Para haver mútuo entendimento, ambos precisam usar a razão, mas esse processo não faz parte da mentalidade bárbara.

Num conflito entre racionais e bárbaros a única linguagem possível é a da força e os racionais só podem encontrar a paz através da vitória, da destruição da capacidade do inimigo de usar a força, da capitulação e rendição incondicional, da libertação das mentes submetidas ao dever imperial e à obediência servil.

Israel, se quiser paz, tem que ir adiante até vencer seus inimigos irracionais, resolvendo assim o “conundrum”, o “catch-22”, missão impossível para quem não usa a razão.

Artigo

Os jovens realmente lutam contra o sistema?

05/10/2023 - José Linhares Jr
Os mesmos grupos que afirmam “opressão” são apoiados pelos principais meios de comunicação, pelo governo e pelas grandes corporações.

Há uma visão romantizada de que os movimentos juvenis de esquerda são a onda do futuro e estão no “lado certo da história”. O estereotipado jovem idealista é considerado um radical de esquerda que apoia movimentos como o Vidas Negras Importam e causas ambientais e o socialismo. As opiniões dos jovens são geralmente representadas por figuras como a anticapitalista Greta Thunberg ou a jovem congressista socialista Alexandria Ocasio-Cortez.

De acordo com um inquérito realizado pelo Instituto de Assuntos Econômicos, 67% dos jovens dizem que gostariam de viver num sistema econômico socialista e 75% concordam com a noção de que “o socialismo é uma boa ideia, mas falhou no passado porque foi mal feito.”

É claro que o capitalismo e os valores tradicionais são fortemente estigmatizados entre a Geração Z. Quando jovem, senti-me isolada dos meus pares quando argumentei contra o socialismo e o progressismo. Muitos dos meus amigos com opiniões semelhantes às minhas sentem a necessidade de se censurar para se encaixar.

O socialismo e o esquerdismo são, sem dúvida, populares na minha geração. Mas vale a pena perguntar: será que estas ideologias se originam organicamente de novos olhos que veem as injustiças do mundo e querem rebelar-se contra um sistema opressivo, ou existe outra explicação para a razão pela qual estas crenças se tornaram tão populares?

Rebelde com causa

Há uma tendência que pode nos ajudar a responder a essa pergunta. Embora os jovens fiquem muitas vezes zangados com as questões do seu tempo, as soluções que defendem são muitas vezes aquilo que causou o problema em primeiro lugar.

A crise imobiliária na Grã-Bretanha é um bom exemplo. Os jovens veem agora a aquisição de casa própria como um sonho irrealista, uma vez que os preços das casas no Reino Unido dispararam nas últimas décadas. De acordo com a sondagem da AIE, 78% dos jovens atribuem a crise ao capitalismo e acreditam que a solução requer uma intervenção governamental em grande escala através de medidas como o controle das rendas e moradias públicas. No entanto, não reconhecem que a razão pela qual a habitação é tão cara é porque existe uma escassez de habitação devido às restrições governamentais à construção.

Uma atribuição de culpa semelhante caracterizou o movimento Occupy em 2011, que foi uma resposta à Grande Recessão de 2008. Os jovens manifestantes exigiram mais regulamentação governamental para Wall Street com o grito de guerra de que “nós somos os 99%”. Contudo, a realidade é que foi a interferência do governo no sistema financeiro que causou a recessão.

Os jovens que procuram soluções que apenas agravariam o problema não são novidade. Tal como descreve o economista Ludwig von Mises no seu livro Burocracia, a ascensão do movimento juvenil na Alemanha antes da Primeira Guerra Mundial foi uma reação à falta de oportunidades do regime burocrático. Contudo, o movimento juvenil não tinha uma compreensão clara do problema e queria expandir o sistema em vez de lutar contra ele.

     “O movimento juvenil foi uma expressão do desconforto que os jovens sentiam face às perspectivas sombrias que a tendência geral para a arregimentação lhes oferecia. Mas foi uma rebelião falsa condenada ao fracasso porque não se atreveu a lutar seriamente contra a crescente ameaça do controle governamental global e do totalitarismo. Os tumultuosos pretensos desordeiros eram impotentes porque estavam sob o feitiço das superstições totalitárias. Eles se entregavam a tagarelices sediciosas e entoavam canções inflamadas, mas queriam, antes de tudo, empregos públicos.”

Repetidas vezes podemos ver que os movimentos juvenis que alegadamente lutam contra o sistema estão, na realidade, dão poder a ele.

Radicalmente não radical

E isso não é coincidência. Muitas vezes, os jovens promovem inadvertidamente o sistema, porque o próprio sistema os manipula.

Os movimentos modernos defendidos pelos jovens de hoje são apresentados como anti-sistema e de base. No entanto, os mesmos grupos que afirmam “opressão” são apoiados pelos principais meios de comunicação, pelo governo e pelas grandes corporações.

Embora os esquerdistas afirmem que estão lutando contra o sistema ao defender o Black Lives Matter, o sistema está literalmente promovendo a sua causa, como demonstrado pelos líderes do BLM reunidos com membros do governo Biden. Isto também pode ser visto através da tentativa de enquadrar a ideologia trans como uma opinião anti-establishment. No entanto, o rei mostra-se nu quando se considera que o a Casa Branca mostrou sua lealdade ao movimento LGBT hasteando a bandeira do orgulho progressista ao lado da bandeira americana.

Os movimentos juvenis que hoje empoderam o sistema, em vez de se rebelarem contra ele, são paralelos à forma como os jovens desempenharam um papel fundamental na revolução cultural de Mao. Os estudantes foram encorajados pelo regime a rebelar-se e a invadir as casas dos inimigos de classe e a estigmatizá-los como párias sociais. Como escreveu o historiador Frank Dikötter no seu livro A Revolução Cultural: A História do Povo, 1962-1976, Mao acreditava que “a ingenuidade e a ignorância da juventude eram virtudes positivas”, porque as tornavam mais manipuláveis.

Mais um tijolo na parede

Além disso, as causas defendidas como “movimentos juvenis” são muitas vezes apenas movimentos defendidos por professores e empurrados para os seus alunos. A página do Twitter do Libs of TikTok demonstra como a teoria radical de gênero foi promovida na educação por professores radicais de esquerda nos Estados Unidos. Da mesma forma, no Reino Unido, um vídeo tornou-se viral online apresentando um professor referindo-se a um aluno como “desprezível” devido à sua falta de respeito pela identidade de gênero de outro aluno que se identificou como um gato.

A teoria do gênero também recebeu apoio institucional no Reino Unido, onde organizações sem fins lucrativos, como Stonewall e Mermaids, forneceram recursos e lições sobre gênero para escolas de todo o país. Seria algo espantoso que tantos jovens se alinhem com pontos de vista esquerdistas quando estes pontos de vista estão sendo fortemente promovidos no nosso sistema educativo e dizem aos jovens que eles são maus se simplesmente discordam?

Murray Rothbard, em The Progressive Era, explica como os jovens estiveram na frente da causa da proibição, em parte devido à promoção da causa no sistema de ensino público:

     “Os jovens estavam tornando-se mais pietistas e mais militantes proibicionistas do que os mais velhos. A juventude pietista exalava um ódio profundo pelos bares, expresso através das Sociedades Cristãs de Jovens e dos programas de Escola Dominical Interdenominacional. O W.C.T.U. [A União Feminina Cristã de Temperança], em parte por meio de suas aulas de higiene altamente bem-sucedidas nas escolas públicas, conseguiu alistar 200.000 jovens em sua afiliada, a Legião Leal da Temperança.”

Os verdadeiros rebeldes

No entanto, também houve autênticos movimentos juvenis por causas genuinamente nobres. Um exemplo notável disso são os Pais Fundadores americanos, que tinham em sua maioria menos de quarenta anos quando lutaram na Guerra Revolucionária. Conforme referenciado no musical, Hamilton ainda era um jovem adulto quando lutou na batalha pela independência. A razão pela qual a jovem revolução libertária que libertou os EUA e o Ocidente estava realmente “do lado certo da história” foi que se baseou em boas ideias e não foi conduzida por tiranos para os seus próprios interesses.

Portanto, se você é um jovem que não está do lado dos movimentos da moda, não se sinta mal, pois esses movimentos nem sempre estão do “lado certo da história”. Embora os movimentos juvenis sejam frequentemente vistos com lentes cor-de-rosa, a realidade é que os jovens têm estado frequentemente do lado de movimentos que promovem um governo grande e limitam a liberdade. Mas isso não é rebeldia. Os verdadeiros rebeldes são aqueles que lutam contra a tirania, não aqueles que a sustentam.

centrão
Desmistificando a muleta retórica, e falsa, usada pelos vermelhos para constranger deputados que não são esquerdistas doentes.

SÃO LUÍS, 15 de setembro de 2023 – A negação da natureza humana e da realidade estão afundando a sociedade em um fosso de incapacidade de percepção coisas mais evidentes. Faz tempo que quero falar sobre essa safadeza chamada “centrão”. De como o caráter pejorativo do termo é criação de jornalista salafrário e que, no fundo, guarda em si um caráter extremamente antidemocrático.

É estranho ouvir cobranças que só são cobradas dos outros. Cobranças que, se questionados por poucos minutos, desmoronam na irrealidade, manipulação e fantasia.

É estranha a exigência do impossível. Algo que geralmente esconde artimanhas subterrâneas.

Vamos pelo começo

A imprensa livre é uma conquista da sociedade, bem como a liberdade de expressão da opinião pública. Juntas, as duas ajudam a fundamentar a base do que chamamos de democracia.

Acontece que, por serem coisas humanas, nenhuma das duas é infalível. Ou melhor: nenhuma das três!

Foi pela opinião pública que o nazareno acabou crucificado no lugar do bandido. E a lista de escolhas duvidosas é infindável.

E se, por vezes, é equivocada a opinião da maioria, é por óbvio aceitar que a imprensa falhou, falha e falhará miseravelmente em algumas de suas notícias e opiniões.

Se chegou até aqui, é claro que você não considera a opinião pública infalível e muito menos a imprensa como ferramenta fiel de descrição da realidade.

Então, vamos demolir esse mito chamado centrão.

A origem da enganação

Entre a lista de desserviços da imprensa brasileira no debate político está o uso indiscriminado do termo “centrão”. Usado pela primeira vez após o fim do regime militar, na década de 1980.

E o que é o centrão? Um grupo de parlamentares de viés governista que garantiu, de lá até aqui, a governabilidade de absolutamente todos os presidentes eleitos desde a redemocratização. Começou no governo Sarney, seguiu-se com Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e agora retorna com Lula.

Em absolutamente todos estes governos a base de sustentação foi o centrão. Logo, não existe centrão. O que existe é centro, centro democrático.

Só que, ao invés de ser apresentado por sua grande virtude, que é a estabilidade política, o centro democrático foi apresentado como uma espécie de deformação política. E isso porque este apoio político, que garante a governabilidade, possui um custo.

“Custo, Linhares? É sério?”

O impossível não é uma possibilidade

Será que há alguém nesse mundo que sai de casa pela manhã e espera viver da generosidade das boas intenções de todo o resto do mundo? Se você acredita nisso, pare por aqui. Apenas canalhas oferecem utopias quando se está falando de política.

Sim, essa é uma verdade incômoda. Soa agressiva nos ouvidos. Tem um viés catastrófico e indesejável. Só que se trata da mais pura e absoluta realidade. Ninguém em sã consciência empenha sua vida, seus planos e metas na boa vontade alheia.

Apoio político tem custo em absolutamente todo lugar de toda a Terra em qualquer momento da história da humanidade. Mais custoso em alguns momentos, menos custoso em outros? Dado por causas nobres? Extorsão em outras vezes? Sim, é assim. Só que sempre custoso. Dizer o contrário é negar a realidade. Não existiu, não existe e nunca existirá ambiente político sem negociação.

Entre as principais metas da política é indiscutível a chegada ao poder. Ninguém duvida disso. Se você, caro leitor, acredita na democracia, então deve achar natural que a chegada ao poder seja dada pela partilha do… poder. É assim no Brasil, é assim em qualquer lugar do mundo. Só não há negociação e contrapeso em ditaduras. Só não existe centro pendendo pro lado e pro outro em regimes autoritários.

O que se faz com essa partilha do poder pode até ser motivo de questionamento. Aí entra outra meta, essa mais teórica do que prática, da política: o bem comum. Se essa partilha irá ter como fim o bem comum, ou não, cabe um debate. A divisão do poder, em si mesma, é algo intrínseco das democracias. Seja em um governo concernente aos anseios do povo ou desconexo deles, o centro sempre estará lá negociando.

Por que odeiam tanto o centro democrático?

O centrão é tratado pela militância hegemônica esquerdista de redação como uma quadrilha de marginais sanguessugas, certo? Errado! Depende da situação. E todo conceito político que se contorce de acordo com a situação é construção de charlatões.

Um breve histórico de como a imprensa militante tratou o centro democrático. Com Sarney, era ruim. Quando tirou Collor, ficou bom. Veio FHC, voltou a ser ruim. Eleito Lula, veio mensalão, era bom. Rompeu com o governo, elegeu Severino Cavalcante, virou ruim. Reatou com Lula, ótimo. Deu sustentação à eleição e Dilma, maravilhoso. Apoiou a reeleição, lindo demais. Pulou da catástrofe e votou o impeachment, virou o demônio. E assim vem sendo até os dias atuais.

O fato é que a bússola da militância de redação sobre o que escrever sobre o centro é o caminho da esquerda. Se está com a esquerda, bom. Se está contra, ruim.

Setores da imprensa odeiam o centro porque gostariam que este fosse um cachorro da esquerda. Da mesma forma que o são estes próprios setores. Democratas de meia-tigela.

O problema são os custos? Sério?

E qual a bússola do centro? Ser governo! O que significa garantir ao eleito pelo povo a governabilidade. Quem chega ao poder pela vontade do povo, governa.

Dada a rendição do Judiciário, parlamentares do centro hoje são a única barreira contra possíveis arroubos da esquerda velhaca e a direita infantil. Enquanto houver centro, o país possui um seguro de que não será tragado por um dos lados e nem ser afogado em uma guerra civil política que torne o país ingovernável.

O mais cético chegou até aqui martelando os “custos” como argumento. Pois bem, aqui vai outra verdade inconveniente: qual a porcentagem de parlamentares e políticos eleitos sem fazer valer estes “custos” em suas reeleições?

No fim das contas, o “custo” do apoio é investindo em campanhas. Então, chegamos ao ponto chave: a qualidade de quem negocia apoio é determinada pela qualidade do voto de quem os elege. Em suma, o povo.

O centro democrático é inevitável. Bem como negociações por poder e apoio em uma democracia.

Se há um problema neste sistema, ele está na consciência de quem vota.

“Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma “ciência lúgubre”.  Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância.” – Murray Rothbard, “A propriedade privada e o desejo de morte dos anarco-comunistas

A escola austríaca de economia se coloca como um farol, iluminando o caminho para a compreensão econômica através de uma perspectiva que diverge marcadamente das metodologias de experimentação controlada e observação empírica que definem as ciências naturais. Em vez disso, a economia austríaca desnuda as verdades atemporais dos fenômenos econômicos através da arte do raciocínio dedutivo, extraindo seu poder de axiomas autoevidentes que sustentam a intrincada trama da vida econômica.

Esse afastamento das normas científicas convencionais repousa sobre dois pilares fundamentais. Em sua essência, a economia preocupa-se em decifrar a elaborada coreografia da ação humana, impulsionada não pelas certezas lineares que governam o reino físico, mas pelas intrincadas nuances dos desejos subjetivos. Em contraste com a previsibilidade da matéria e do movimento, a tela sobre a qual o comportamento humano proposital é pintado desafia as tentativas de segmentação ou manipulação dentro de ambientes controlados.

A sinfonia da economia cresce a partir da miríade de notas tocadas pelos indivíduos, cada um tecendo sua narrativa dinâmica única através do tecido de circunstâncias pessoais, conhecimentos, expectativas e valores. Não existem alavancas de controle para ajustar ou experimentar dentro deste reino.

Essa distinção fundamental é ainda exemplificada pela relutância da história em produzir experimentos controlados para a validação de teorias econômicas. Eventos históricos como a Grande Depressão são composições tecidas a partir de uma complexa interação de inúmeros fios causais, permitindo que escolas de pensamento rivais extraiam interpretações divergentes de momentos compartilhados no tempo.

Ao contrário do percurso empírico das ciências naturais, a base dos princípios econômicos encontra suas raízes no terreno fértil da lógica dedutiva, brotando de axiomas autoevidentes sobre a ação humana: que os indivíduos agem com propósito e valorizam subjetivamente os bens. Os princípios de oferta e demanda , utilidade marginal , custo de oportunidade e dinâmica de incentivos não são meras observações, mas implicações meticulosamente derivadas desses axiomas fundamentais.

Os dados empíricos, embora lancem luz sobre as leis econômicas, não exercem o poder de oferecer provas definitivas ou refutação dessas leis. Estruturas econômicas rivais podem coexistir, apesar de se basearem na mesma fonte empírica. Deduções que permanecem impermeáveis a dados históricos contrários permanecem firmes como a base da ciência econômica.

Sabe-se que os detratores afirmam que as deduções da escola austríaca carecem de relevância sem verificação empírica. No entanto, os axiomas centrais sobre os quais essas deduções se baseiam são imunes às limitações dos dados empíricos. Além disso, a análise econômica austríaca tem demonstrado repetidamente a sua capacidade preditiva. Por exemplo, considere a teoria dos ciclos econômicos de Ludwig von Mises.

Décadas antes da crise financeira de 2008, Mises elucidou como booms insustentáveis semeiam sua própria destruição, impulsionados por taxas de juros distorcidas e sinais de produção devido à expansão do crédito. Sua previsão de uma eventual recessão devido às políticas inflacionárias do banco central soou verdadeira quando a crise finalmente se desenrolou. Enquanto outros tropeçaram em modelos estatísticos, aqueles que abraçaram a dedução entenderam a essência da crise.

Os críticos também questionaram o realismo da abordagem da escola austríaca, contrastando os atores racionais dos modelos econômicos com a irracionalidade do mundo real. No entanto, as leis dedutivas da economia não procuram prever resultados específicos, mas oferecem estruturas interpretativas. Como bem explicou Mises, “a economia, como ramo da teoria mais geral da ação humana, lida com toda a ação humana, isto é, com a finalidade do homem visando a obtenção dos fins escolhidos, quaisquer que sejam esses fins”.

Ao deduzir implicações do alicerce da ação humana proposital, a economia alcança um nível de universalidade e permanência que a análise empírica não pode igualar. Embora a observação empírica possa iluminar instâncias específicas, é o reino da dedução que desvenda os mecanismos atemporais que governam os fenômenos econômicos.

A microeconomia serve como um excelente exemplo. Embora a realidade possa se desviar dos postulados teóricos, deduções como as que regem a oferta e a demanda fornecem insights sobre mecanismos duradouros que transcendem os limites do tempo e do lugar. É aqui que a dedução triunfa sobre a mineração de dados ao revelar a dinâmica essencial da coordenação de preços.

Em essência, testes empíricos e raciocínio dedutivo não são diametralmente opostos. Pelo contrário, eles podem se complementar harmoniosamente, aumentando a compreensão tanto dos aspectos atemporais quanto dos aspectos contingentes da ciência econômica. A escola austríaca ergue-se, assim, como um pilar fundamental do conhecimento econômico, oferecendo a teoria dedutiva pura como um complemento à observação empírica.

A difusão do esclarecimento econômico: um dever cívico

A verdadeira potência dessas ideias econômicas se desenrola quando elas permeiam a consciência coletiva. Quando mitos e falácias econômicas se infiltram na psique social, os políticos aproveitam esses equívocos para promover políticas movidas por uma lógica defeituosa.

Mesmo diante de séculos de endosso intelectual às virtudes do livre comércio, o espectro do intervencionismo continua a pairar, um testemunho da persistência de duradouras ilusões mercantilistas de que o comércio corrói os empregos domésticos. Esses equívocos concedem aos governos o poder de influenciar o sentimento público, abrindo caminho para políticas que atrapalham, em vez de facilitar, o avanço da sociedade.

Sob esse prisma, os economistas assumem uma dupla responsabilidade: esclarecer o leigo e fomentar nele o apreço pela dinâmica do mercado, bem como armar os cidadãos com as ferramentas intelectuais para afastar o fascínio por intervenções equivocadas. Com a ênfase da escola austríaca na dedução, uma responsabilidade significativa recai sobre os economistas para tornar essas ideias econômicas fundamentais acessíveis e inteligíveis para o público em geral. Intelectuais e escritores também têm um papel a desempenhar na disseminação desses insights críticos para um público mais amplo. Ao difundir a sabedoria que desvela a harmonia oculta no âmbito da troca voluntária, pavimentamos o caminho para a emancipação social.

Ludwig von Mises enfatizou eloquentemente que esse dever de compartilhar o conhecimento econômico é inescapável. Aqueles que não se envolvem com questões econômicas e, em vez disso, depositam confiança cega nos chamados especialistas, entregam seu arbítrio e se submetem à dominação dos outros. Em nossa era atual, afirmou Mises, não há nada mais crucial do que a economia, pois os destinos das gerações presentes e futuras estão na balança. Para citar Mises diretamente:

Ninguém tem como fugir à sua responsabilidade pessoal. Quem – seja quem for – não usar o melhor de sua capacidade para examinar esses problemas estará voluntariamente submetendo seus direitos inatos a uma autodesignada elite de super-homens. Em assuntos tão vitais, confiar cegamente nos “entendidos” e aceitar passivamente mitos e preconceitos vulgares equivale a renunciar à sua própria autodeterminação e submeter-se à dominação de outras pessoas. Para o homem consciente, nada é mais importante na atualidade do que a economia. Está em jogo o seu próprio destino e o de sua descendência.

São muito poucos os que podem contribuir com alguma ideia que produza consequências para o acervo do pensamento econômico. Mas todos os homens sensatos precisam familiarizar-se com as lições da economia. Nos dias que correm, esse é um dever cívico primordial.

Queiramos ou não, o fato é que a economia não pode continuar sendo um esotérico ramo do conhecimento, acessível apenas a um grupo de estudiosos e de especialistas. A economia lida com problemas fundamentais da sociedade; concerne a todos e pertence a todos. É a preocupação mais importante e mais característica de todos os cidadãos.

Embora apenas alguns poucos possam contribuir com ideias originais para o campo da economia, o dever de familiarizar-se com os ensinamentos econômicos cabe a todo cidadão racional. Esta, sublinhou Mises, é a principal responsabilidade cívica na nossa sociedade moderna e torna-se a prossecução adequada de cada cidadão.

A economia, apontou Mises, é vital demais para ficar confinada aos domínios esotéricos da academia. Ela trata das questões fundamentais da sociedade e pertence à todos. Ao capacitar o público com uma compreensão profunda da economia, os economistas equipam os indivíduos com a capacidade de avaliar criticamente os mecanismos de mercado, expor mitos econômicos e resistir à atração de intervenções políticas equivocadas. A educação econômica de longo alcance fortalece a sociedade contra a influência destrutiva do utopismo coercitivo, fomentando uma cultura que valoriza a liberdade individual, o empreendedorismo e a prosperidade de longo prazo. Como tal, é nossa responsabilidade compartilhada disseminar vigorosamente a luz do raciocínio econômico, banindo a névoa da falácia e desbloqueando o potencial ilimitado da humanidade.

Propaganda